No início parecia trovoada mas quando os vidros começaram a abanar e a partir... toca a afastar das janelas e ir para casa. Algo muito estranho se estava a passar.
À saída do escritório, ainda antes de entrar no carro, estava muita gente na rua e a palavra paiol era a que mais se ouvia. Paiol?? Este barulho todo? Não... o HOMEM não ia deixar isto acontecer. Mas no céu não havia nem uma nuvem.
Houve 5 ou 6 explosões assustadoras. Era mesmo o paiol. E, pelas fotografias, dá para ver a que distância estávamos.
A zona à volta está cheia de residências. Triste espectáculo este, criado pelo próprio homem!... Aconteceu hoje, há poucas horas atrás.
E há dias que nem se pode passar por aqui, tão congestionadas que as praias ficam...
Av. Eduardo Mondlane, antes Av. Pinheiro Chagas (canto superior esquerdo do prédio).
Estátua de Eduardo Mondlane
O dia da família (ou Natal) na cidade foi quase todo assim. As ruas estavam muito calmas.
Cada um festeja como pode, mas uma coisa é certa, aqui a alegria inventa-se. Li há poucos dias na revista do jornal Expresso n.º 1782, Única, página 86: "... Fico a pensar no interesse destes senegaleses por uma língua que nem é sua; é minha. Imagino o nível de entusiasmo, o estímulo para prosseguir estudos destes 11 mil miúdos... E penso: mais do que oferecer uma bolsa, o meu país devia era promover intercâmbios estudantis: mandem-nos esses 11 mil entusiastas interessados na nossa língua, que nós mandamo-vos umas centenas de milhares de apáticos desinteressados de tudo. Mandamo-vos uma geração de privilegiados do destino, para que eles compreendam a sorte que tiveram em nascer portugueses. Intercambiemos: nós ensinamos os vossos miúdos a falar a língua, vocês ensinem os nossos a viver a vida." - Gonçalo Cadilhe.
Passei à noite pelo local da 1ª fotografia. A decoração estava em toda a rua. Era uma iluminação muito fraquinha. Mas ela estava lá.